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Bruno Balbi: "Existe uma oportunidade no mercado para a geração de dados confiáveis de mar e tempo"

Nunca as previsões meteorológicas foram tão usadas e tão necessárias no mundo. Também não são poucos os modelos utilizados com esta finalidade. Entretanto, é na Bahia que nasceu uma start up com diferenciais expressivos no segmento, sobretudo para grandes portos, que já utilizam a tecnologia da i4sea para montar estratégias precisas de atracação. Para falar em detalhes sobre o assunto, o Mar Bahia conversou com o co-fundador da empresa, Bruno Balbi*.


* Oceanógrafo e especialista em gestão costeira, pela Universidade Federal da Bahia, possui MBA em Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas e pelas Universidade de Sullivan e Central Missouri – EUA. Foi Co-fundador da Preamar Gestão Costeira, empresa responsável pela certificação da primeira praia do Norte/Nordeste ao selo de qualidade internacional Bandeira Azul.


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MAR BAHIA – Eliminar incertezas relacionadas ao impacto da natureza na economia. Assim é descrita a i4sea, fundada por você mais três oceanógrafos em 2015. Como surgiu a ideia da empresa, que nasceu na Bahia, e qual o objetivo principal de vocês?


BRUNO BALBI - Desde 2013 trabalhamos com serviços de consultoria voltados para estudos de impacto ambiental para licenciamento de empreendimentos costeiros (estaleiros, portos, marinas, etc). Ao prestar os serviços utilizando tecnologias de modelagem matemática para criar cenários e previsões de como o mar e o tempo iriam se comportar, percebemos que existia uma oportunidade no mercado para a geração de dados confiáveis de mar e tempo e sua influência nas manobras de navios, chegando e saindo dos portos.


"Focamos 100% do nosso tempo para desenvolver um sistema especializado e único no mercado, com todas as ferramentas necessárias para trazer eficiência e segurança ao planejamento de manobras de navios em ambientes portuários".

MB – Os sistemas de previsões meteorológicas, sobretudo oceanográficas, vêm avançando constantemente em diversas plataformas. Qual é o diferencial da i4sea e por que o método usado por vocês vem sendo referenciado por grandes instituições que dependem enormemente dessas informações para funcionarem com eficiência?


BB - O nosso sistema de previsão tem diversos diferenciais. Um dos principais é o fato deste ser hiper local, ou seja, capaz de prever com bastante precisão (>95%) como as marés, ventos, correntes, ondas, dentre outros, irão se comportar nos próximos sete dias. Os modelos de previsão globais disponíveis em sites e aplicativos de previsão possuem uma resolução de 30km (se compararmos com uma foto, equivaleria a dizer que um pixel tem 30km). Já a resolução da tecnologia de previsão desenvolvida pela i4sea pode chegar até 15m. Em outras palavras, ao invés de prever as condições oceanográficas para a costa do Brasil, prevemos estas condições para a região específica de cada porto, para oferecermos assim suporte à tomada de decisão em seus planejamentos e permitir que os portos operem com mais segurança e eficiência de carregamento.

Foto: André Lima

MB – Você pode falar um pouco mais de que forma a i4sea foi decisiva junto à Capitania dos Portos da Bahia durante o acidente com a lancha Cavalo Marinho I?

BB - Os modelos de previsão da i4sea estão operacionais na Baía de Todos os Santos desde 2015, quando começamos os desenvolvimentos da nossa tecnologia. Ao longo do desenvolvimento, nutrimos um relacionamento muito próximo com o setor portuário, a universidade e a Marinha. Por conta deste relacionamento, quando o acidente ocorreu, fomos convidados pela Marinha e o Corpo de Bombeiros para analisar, de acordo com as correntes marinhas, qual seria a provável localização dos corpos que estavam desaparecidos. Felizmente os corpos foram encontrados dentro do raio de busca determinado pelas análises. A partir deste caso, firmamos um convênio de colaboração técnica com o 2º Distrito Naval e Capitania dos Portos da Bahia para o monitoramento, previsões e alertas de mar e tempo, e assim, contribuir com a segurança da navegação, proteção ao meio ambiente e salvaguarda da vida humana na Bahia.


Por conta desta parceria, estamos desenvolvendo sempre novas funcionalidades e ferramentas de acordo com o feedback dos militares envolvidos no projeto. Todas as iniciativas têm como objetivo elevar o grau de conhecimento das condições ambientais em nosso estado e assim termos ferramentas para tomadas de decisão assertivas quanto à segurança da navegação.

MB - No ano passado a UFBA apoiou um importante sistema de monitoramento na Baía de Todos os Santos, o SIMBTS. De que forma vocês adaptam o gerenciamento de dados para uso da comunidade de uma forma geral?


BB - O programa SimCosta foi criado e é gerenciado pela FURG e na Bahia conta com o apoio da UFBA, do Yacht Club da Bahia e da i4sea. A i4sea contribui com o projeto através da construção e manutenção do site disponível para o público, na geração de previsões de mar e tempo de até três dias no futuro, na manutenção técnica dos sensores e com a operacionalização da boia SiMCosta.

MB – Em tempos de pandemia, onde o uso de informações online desempenha um papel ainda mais fundamental, há uma mudança no cenário de previsões?


BB - O i4cast® é uma ferramenta online, que possui como objetivo dar suporte à tomada de decisão quanto à eficiência do carregamento, permitindo que navios maiores e com maiores carregamentos possam ser operados com o máximo de segurança.


"Em tempos de pandemia, onde é necessário ter um cuidado ainda mais especial com o caixa das empresas e sermos capazes de fazer mais com menos, esta ferramenta se torna cada vez mais importante não só no cenário nacional, mas globalmente".

MB – Sendo a Baia de Todos os Santos a Capital da Amazônia Azul, como vocês enxergam o potencial e atual uso desse inestimável manancial?


BB - A Baía de Todos os Santos desfruta de um grande potencial portuário, por conta de suas águas calmas, profundas e posicionada estrategicamente ao longo da costa brasileira. Sem contar que temos aqui o Tecon Salvador, que é o principal terminal de contêiner do Nordeste e conecta a região e a Bahia ao mundo. Desde 2017 que possui o i4cast® instalado, provendo informações confiáveis de mar, tempo e calado dinâmico e com a recente duplicação do cais (de 423m para 800m) está preparado para o futuro, quando uma nova frota de supernavios, com 366 metros de comprimento, entrar no mercado, tendo assim condições de maiores calados e condições de atracar dois destes navios ao mesmo tempo. O nosso papel é o de prover tecnologias que sejam capazes de ampliar esse potencial com segurança e sem agredir o meio ambiente.

MB – Quando está fora do escritório, consegue se desligar um pouco das previsões ou invariavelmente precisa continuar navegando?


BB - Como uma empresa em pleno crescimento, estamos sempre ligados nas previsões, pois praticamente todos os profissionais da empresa gostam de surfar bastante! Então, sempre estamos juntos, sendo no escritório ou no mar. A i4sea é uma daquelas empresas que é fácil perceber o amor que todos os colaboradores têm com a missão da empresa e o ambiente que esta se encontra.

MB – O melhor e o pior do mar da Bahia


BB - Eu sou suspeito para falar, mas eu considero a costa baiana e especialmente a Baía de Todos os Santos a mais linda de todo o mundo. Nós somos muito privilegiados de poder morar em um paraíso de águas quentes o ano inteiro. Como tudo na vida, ainda existe muito a ser aprimorado, e eu acredito que certificações de qualidade como o selo Bandeira Azul, deveriam ser aplicados de forma exponencial para criar planos de gestão e procedimentos para que as nossas praias tenham cada vez mais segurança, qualidade de água, areia e serviços, limpeza e educação ambiental.

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