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Um baiano velejador pelas águas do Brasil

O nome é Bruno Baqueiro, a idade 47 anos e o sonho o de muitos: viver a bordo. O menino que crescera com o sucesso da família no ramo da movelaria na Bahia, aprendeu a velejar com seu pai quando tinha 9 anos. A semente ficou plantada e de lá para cá, o sonho acalentado tornou-se realidade há pouco mais de um ano, quando comprou o "Arribasaia", um Beneteau Oceanis 411, legitimado pelo seu mais novo comandante, batizado de @baianovelejador.

Foto: Site Mar Bahia

Um processo que pode parecer fácil leva anos; como conta o próprio Bruno em um bate-papo a bordo com o @sitemarbahia. "No inicio eu era só um entusiasta, fiz curso de mergulho, mas vi que minha pegada era mesmo o veleiro. Fui aprendendo a ser um skipper e entender como fazer as coisas funcionar a bordo. Estudei, trabalhei com velejadores experientes e decidi me aprofundar no meu sonho, que era ter o meu barco. Vendi absolutamente tudo e saí da vida em terra de vez. Hoje não tenho nem uma bicicleta!" (Risos).


Bruno conta que seu destino foi traçado antes de zarpar. "Meu desejo sempre foi primeiro sair da terra e conhecer o Brasil, que é muito grande e lindo. Tudo que tenho está aqui ao meu redor. O barco, o mar e os amigos que vamos fazendo". Já o nome do barco, que foi registrado na Bahia, e já rodou pelo sul do país, faz referência a uma pimenta bem forte que, de acordo com ele, faz as meninas arribarem a saia... O projeto é um clássico Finot 2000, todo emadeirado em cedro, com acabamento impecável. "Desde o momento em que pisei nesse barco nunca fiquei mais do que três dias fora dele. É a minha princesa, uma mulher ciumenta, viu?!"


A vida a bordo

Foto: Site Mar Bahia

Viver a bordo tem muitos bordos. Vai além da poesia. Exige trabalho, conhecimento, esforço, previsão, imprevisão, interação. Conversando sobre o que já viveu ao longo deste tempo, ele conta o que vê em todos os locais por onde passa. "99% das pessoas que encontro são pessoas que estão se formando, querendo aprender sobre esse mundo. Eu tenho o coração aberto e o que mais quero na minha vida é esse tipo de amizade. Compartilho com o maior prazer o pouco que sei e quero ajudar as pessoas que desejam ingressar na vida a bordo a realizar esse desejo. Mas, elas precisam saber que não é simples. Apesar disso, a gente consegue viver com menos e melhor".


O mais difícil de viver a bordo talvez seja cumprir prazos e gerenciar coisas que estão fora do seu controle, como a meteorologia, por exemplo. Não tenho medo da solidão, nem de assaltos...apesar de toda a campanha que é feita contra, o mar ainda é seguro. Meu barco não tem nem chave. Já facilito para se alguém quiser entrar não quebrar nada! Já o melhor de viver a bordo: paz de espirito e a troca. Olhar ao redor e ver amigos por onde você passa.
Foto: Site Mar Bahia

Seu "nickname", o @baianovelejador, que rendeu matéria com a turma do #SAL, nasceu de uma destas interações a bordo. " É curioso isso porque jamais pensei em criar nada na internet a respeito da vida no mar, mas conheci três meninas fantásticas, algumas especialistas em marketing, que captaram essa essência e escolheram esse nome para uma maior divulgação do veleiro e das experiências que vamos vivendo. Baiano é uma marca forte, né? (Risos), e terminou pegando! O perfil reflete isso porque é muito mais fácil você ser você do que inventar um personagem...é o que eu sou...pode sair bom, sair ruim, mas pelo menos é real", declara Bruno.


Ancorados em Salvador, a tripulação do Arribasaia se prepara para disputa da segunda Regata Recife-Fernando de Noronha (Refeno), levando agora uma nova turma de velejadores iniciantes. Depois disso, Bruno diz que vai se dar um período sabático, já que desde que comprou o veleiro não parou para organizar os próximos planos.

Foto: Bruno Baqueiro

A conversa estava boa, mas no cockpit os amigos já bradavam pelo churrasco e a cerveja gelada (inclusive nós!). Mas, a gente não podia terminar a prosa sem uma dica para quem quer começar, né? Então, segue a do capitão Bruno!


"Vá devagar! Experimente, veleje, viaje, estude antes de se jogar de cabeça. Barco é responsabilidade. Você não relaxa nunca porque há sempre algo a fazer. Mas eu tenho um lema: nunca faça tudo de vez se não no outro dia você pode ficar sem tem o que fazer!" (Risos)

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