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Zé Pescador: o racismo ambiental em Ilha de Maré

Atualizado: Jun 29


A Baía de Todos os Santos é um território de grande importância para economia de diversos setores, como a indústria naval, óleo e gás, o turismo e principalmente para a pesca artesanal. Historicamente, este território sofre com a falta de gestão e com a poluição que ameaça a saúde de milhares de pessoas que tiram das suas águas o seu sustento. Neste artigo quero chamar atenção para os impactos negativos provocados pelos lançamentos de efluentes industriais, destacando neste os mais graves que temos conhecimento através de relatos de populações tradicionais, de pescadores e marisqueiras da região de Ilha de Maré.

Em 2015, fui realizar um trabalho na ilha e ali eu pude ver de perto as mazelas provocadas pela interferência do lançamento de efluentes da indústria petroquímica na qualidade de vida desta população e na interferência na produção pesqueira. As externalidades provocadas pela atividade da indústria, aliada a falta de diálogo destas empresas com as comunidades de pescadores, acabaram por gerar um conflito que até hoje se mantem por conta da ameaça à segurança alimentar provocada pela poluição e descaso do estado, que não fiscaliza nem cobra de maneira eficaz pela implantação de tratamento adequado destes efluentes. Esta realidade fez crescer a revolta de muitos moradores que dependem dos recursos naturais desta Baía e foi ali que eu escutei pela primeira vez a expressão “racismo ambiental”.

Foto: Divulgação

Segundo se sabe, as maiores poluidoras da Baía de Todos os Santos são a PROQUIGEL, a DOW química e a Refinaria Landulfo Alves (RLAN) - esta há a 65 anos lançando em suas águas os efluentes que ameaçam a saúde e o bem-estar dos pescadores e marisqueiras de ilha de Maré e toda a região. Próximo ao manguezal onde a refinaria está instalada é possível ver as placas alertando sobre o perigo da temperatura que estes efluentes são lançados, alertando os pescadores e marisqueiras para se afastar. No substrato é possível observar a casca de ostras e outros mariscos mortos pelo impacto destes efluentes e também a tristeza dos que retiram do mar a sua sobrevivência. Alguns peixes e mariscos tem o sabor alterado; o que faz com que comerciantes não queiram comprá-los. Isso além de prejudicar a economia da pesca artesanal, também causa preocupação com a saúde dos que tem neste território a sua fonte de proteína para alimentação de suas famílias.

De nossa parte, cabe estimular o diálogo e criar fóruns para discutir e buscar soluções para este grave problema ambiental que degrada ambientalmente e agride socialmente estas comunidades, pela indiferença e falta de ação daqueles que tem o poder para ordenar e disciplinar as atividades das indústrias. Esperamos tocar as mentes e os corações dos amantes do mar para que este mal seja debelado e que as águas da BTS melhorem a sua qualidade, pois não precisa ser um estudioso da biologia marinha para entender que peixes, mariscos e pescadores gostam de água com boa qualidade.


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