Do veneno ao prato: especialista baiano destaca os perigos e possibilidades positivas do peixe-leão

Uma espécie invasora que pode causar impactos negativos nos ecossistemas marinhos e atividades econômicas importantes, como a pesca artesanal e o turismo, especialmente no litoral baiano. Você, com certeza, já ouviu falar no peixe-leão, que vem protagonizando inúmeras manchetes em todo o país. Por isso, vem sendo discutido o desenvolvimento de estratégias de manejo, observando as características de cada estado invadido.

O professor Cláudio “Buia” Sampaio dos cursos de Engenharia de Pesca e Licenciatura em Ciências Biológicas da UFAL Penedo e dos Programas de Pós-Graduação em Diversidade Biológica e Conservação nos Trópicos (PPG-DIBICT) e em Ciências Ambientais (PPG-CiAmb), destaca que os riscos associados ao manejo inadequado do peixe-leão e a importância da adoção de protocolos de segurança e os primeiros socorros em caso de acidentes. A espécie possui 18 espinhos capazes de inocular veneno e, por isso, sua captura e manipulação exigem capacitação, equipamentos e técnicas apropriadas.
O que fazer
As etapas do manejo inclui desde a correta identificação da espécie invasora até o abate. Se você capturar um peixe-leão acidentalmente em redes, covos ou linha de mão, seja cuidadoso com seus espinhos, mantenha o peixe no gelo e avise os órgãos ambientais, como a SEMA, se possível doe o peixe para as pesquisas desenvolvidas nas universidades, a exemplo da UFBA, UFSB e UFAL.

Se durante seu mergulho vc encontrar um peixe-leão não tente capturar, pois o risco de acidente é alto. Avise os órgãos sobre seu encontro indicando a data da observação, localidade, profundidade e outras informações que facilitem sua busca. Você pode ajudar a reduzir os impactos causados pelas espécies invasoras, fique atento e se observar ou pescar algo diferente, faça fotos e entre em contato, assim poderemos conservar nossa maior riqueza, a biodiversidade marinha.
Aproveitamento
Buia destacou também a confecção de um livro de receitas (ebook) que contará com a participação de grandes chefs de cozinha, onde irão desenvolver pratos com o peixe-leão, a exemplo da chef Leila Carreiro, do Restaurante Dona Mariquita, que deverá fazer o preparo de comidas típicas baianas, a exemplo da moqueca de peixe-leão.
Na Colônia de Pesca Z-08, um dos principais interesses demonstrados é a possibilidade de aproveitamento comercial do peixe-leão, incluindo o beneficiamento da carne e o uso da pele.
"O aproveitamento da espécie pode ser uma importante ferramenta associada ao seu controle. Quando realizado de forma segura e responsável, pode contribuir para reduzir os impactos negativos da invasão e, ao mesmo tempo, gerar oportunidades de renda para as comunidades pesqueiras afetadas”, explica.






Comentários