Festa de Iemanjá une devoção, cultura e preservação da memória em Salvador
- Mar Bahia

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Na próxima segunda-feira (2), o bairro do Rio Vermelho se transformará no palco de uma das mais tradicionais manifestações religiosas e culturais de Salvador: a Festa de Iemanjá. Milhares de pessoas, entre pescadores, religiosos, moradores e turistas, se reunirão em um grande ato coletivo de fé.

Realizada a partir da Colônia de Pescadores Z1 e da Casa de Iemanjá, a festa atravessa gerações e se consolidou como um símbolo da identidade cultural da cidade. Em reconhecimento à sua importância histórica, a celebração foi oficialmente registrada como Patrimônio Cultural Imaterial de Salvador pela Fundação Gregório de Mattos (FGM), em 2020.
“A Festa de Iemanjá é uma forma de reafirmar a relevância de uma celebração dedicada a um orixá na cidade mais negra fora da África. A FGM tem um papel fundamental na preservação dessa festa, considerando sua singularidade e antiguidade. Trata-se de uma celebração com mais de 100 anos de existência que, desde 1º de fevereiro de 2020, foi oficialmente registrada como Patrimônio Cultural Imaterial de Salvador”, afirma Vagner Rocha, diretor de Patrimônio e Equipamentos Culturais da FGM.

Vagner lembra que, no ano passado, foi implementada uma série de iniciativas voltadas à preservação da festa. Entre as ações estão a elaboração do Plano de Salvaguarda, o restauro da imagem da orixá localizada em frente à Casa de Iemanjá, além de reparos de seis embarcações utilizadas pelos pescadores, anfitriões da celebração e responsáveis pelo ápice do evento: a entrega da oferenda em alto-mar.Neste ano, a FGM realiza a restauração da escultura da sereia do Largo da Mariquita, obra do artista Tatti Moreno, que deve ser entregue nos próximos dias.
A Festa de Iemanjá ocupa um lugar singular no calendário cultural da capital baiana. É a única celebração dedicada exclusivamente a um orixá, sem a presença do sincretismo religioso. “Isso é extremamente emblemático em uma cidade como Salvador, que cresceu voltada para o mar e para a Baía de Todos-os-Santos. Reverenciar Iemanjá é reverenciar as águas, a preservação ambiental e o cuidado com o mar, especialmente em um momento em que discutimos os impactos das mudanças climáticas no mundo”, finaliza o diretor.
Protagonismo – Embora haja esforços do poder público para assegurar a preservação da memória da festa, são os pescadores os principais responsáveis por manter viva essa tradição. José Roberto Pantaleão, de 69 anos, é um deles. Ex-presidente da Colônia Z1 nas décadas de 1970 e 1980, ele não esconde o orgulho de fazer parte da manifestação religiosa.
“A gente tem um orgulho muito grande de pertencer à Colônia Z1 e participar dessa festa. É uma devoção muito forte. Eu pertenço à colônia há 51 anos, então temos história e memória muito vivas dessa celebração, e de como ela foi evoluindo. Quando me filiei, já era uma festa importante, mas Salvador tinha muitas outras no calendário. Com o tempo, isso foi sendo filtrado. Hoje, em termos de volume, ficaram grandes festas como a do Bonfim e a do Rio Vermelho”, relata.












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