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Gente do Mar: Marione Macário

Atualizado: 23 de Ago de 2018

ESPECIAL| SEMANA DA MULHER

Oficial de Regatas


Se nos gramados de futebol é difícil ver mulheres apitando os jogos, imagina no mar. Pois nas águas da Baia de Todos, a baiana Marione Macário é referência - inclusive nacional - quando o assunto é trabalhar como Oficial de Regatas. A paixão pela profissão começou em pleno Dia das Crianças, aos 12 anos, no Yacht Clube da Bahia, quando foi encontrar com o pai e terminou acompanhando seu trabalho em uma das regatas.


“Foi paixão à primeira vista. Minha família no início foi contra, achava que era coisa de homem e que não dava futuro como profissão. Eu, certa do que queria, segui o rumo que escolhi. No início eu só acompanhava meu pai, depois comecei a ajudá-lo, até que em 1999 fui chamada para ser auxiliar em uma etapa de um campeonato brasileiro”, declara Marione.

De lá para cá, foi se profissionalizando, ganhando a confiança e o reconhecimento do segmento, participando da Comissão de Regatas em todos os grandes clubes náuticos da Bahia e do Norte/Nordeste. Em 2009 deu seu primeiro passo em nível nacional, quando foi para Ilhabela, participar como auxiliar na Semana de Vela de Ilhabela. Em 2014, a Confederação Brasileira de Vela (CBVela) a convocou para o treinamento para as Olimpíadas e Paraolimpíadas Rio 2016.


“As Olimpíadas foi um sonho. Quando comecei na Vela, eu almejava dois objetivos: ser reconhecida nacionalmente e participar de uma Olimpíadas. A experiência de poder fazer parte do corpo técnico de uma Olimpíada é indescritível. Foram momentos maravilhosos, onde aprendi, cresci e evolui muito, além de ter feito muitos amigos”, confessa.

Ainda em 2014, Marione foi premiada pela Sudesb ao prêmio “Melhores do Esporte da Bahia”, na categoria melhor Arbitro de Vela. Atualmente, é Gerente de Regata Regional e vem tentando se tornar Gerente de Regata Nacional. “Não tem sido fácil. Percebi que para me destacar, eu tenho que me dedicar, estudar e não desistir”. Com 33 anos, casada e com um filho (que já veleja), ela confessa as dificuldades de conciliar seu trabalho com sua rotina. “Já perdi muitas coisas por causa da profissão. Festas familiares, aniversários do filho, do marido, da mãe, do pai... Algumas pessoas perguntam: “Você não podia recusar?”. A resposta é sim, mas, é tão difícil receber uma convocação para um grande evento nacional, por exemplo, que uma recusa me traz uma sensação que estou jogando fora uma grande oportunidade”.


O trabalho no mar


O trabalho da Comissão de Regatas exige técnica e sensibilidade. Dá a largada e a chegada nas regatas, demarca as áreas de competição, faz cálculos específicos. Durante as provas – que duram praticamente um dia inteiro e normalmente sob forte calor - precisa estar atenta a todos os detalhes, como o vento, a correnteza, como os barcos estão velejando, as nuvens, as boias, aos percursos, a equipe. Na Bahia, Marione é a única mulher na área e a profissional que mais atua anualmente.



Em um universo predominantemente masculino, conta que chegou a ter algumas dificuldades. “Ouvia piadas, discordâncias, contestavam... Acredito que não só por ser mulher, mas talvez por ser muito nova; comecei aos 14 anos”, confessa. Quando a pauta recai sobre a Baía de Todos os Santos, é taxativa. “Todas as pessoas que conheço, que passa por aqui, ficam encantadas com o clima, com a água, o vento sempre presente... O baiano em geral não tem muita vontade de velejar, de competir, de desfrutar do presente que a natureza nos proporciona. A maioria das regatas tem poucos barcos, dificilmente você vê um barco velejando na nossa BTS.” Apesar de tudo isso, já são quase 20 anos dedicados à profissão. De acordo com ela, tudo o que sabe, aprendeu com o pai, premiado em 2017 pelos 50 anos dedicados ao seu trabalho no mar.

"Costumo dizer que me apaixonei pela Vela porque, ao mesmo tempo que trabalho, me divirto. Sabe por que? Porque amo o que faço”, conclui.

Fotos: Reprodução


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