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IBAMA apreende peixe ameaçado de extinção em peixaria de Salvador

Por Projeto Meros do Brasil

Na semana passada a Coordenação de Fiscalização do IBAMA (COFIS) de Salvador (BA) recebeu denúncias anônimas da pesca ilegal de um Mero, através de vídeos que circularam nas redes sociais. O peixe foi apreendido com o apoio da Companhia de Polícia de Proteção Ambiental (COPPA) da Polícia Militar da Bahia e a peixaria na capital baiana foi multada.

Foto: Foto: Áthila Bertoncini Andrade

O mero com 136 cm de comprimento e 43,6 kg de peso eviscerado, foi doado a famílias em condição de vulnerabilidade social em Salvador por meio do Programa Mesa Brasil SESC. Uma equipe do Projeto Mero do Brasil, que é patrocinado pela Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental, foi acionada e examinou o peixe, coletando importantes dados científicos para futuras análises de contaminantes, idade e crescimento. O Projeto Meros do Brasil é realizado pelo Instituto Meros do Brasil, e desenvolve ações de pesquisa, conservação e educação ambiental nos ambientes marinhos costeiros em nove estados brasileiros.


O Mero

O peixe mero é uma das maiores garoupas do mundo, vivendo do sul dos Estados Unidos, passando pelo Caribe e em quase toda costa brasileira, incluindo ilhas oceânicas, até Santa Catarina. São peixes que podem ultrapassar os 45 anos de idade, 2,5 m de comprimento e 450 kg de peso. Apesar de todo esse tamanho são dóceis, elegantes, curiosos e, infelizmente, ameaçados.


Os meros são classificados como criticamente ameaçados de extinção no Brasil, devido a pesca e a degradação dos ambientes marinhos costeiros, sendo sua captura, transporte, beneficiamento e comércio consideradas crime ambiental. Infelizmente, em muitas regiões do Brasil, estão presentes, apenas, nas histórias dos pescadores experientes que conheceram esses grandes peixes. Internacionalmente os meros são, também, considerados ameaçados de extinção e muitos países possuem leis para sua proteção, que proíbem sua pesca, como nos EUA.


São peixes solitários e quando jovens, são dependentes dos mangues e águas rasas. Adultos preferem águas mais profundas, habitando naufrágios e ambientes recifais. Formam cardumes apenas na época da reprodução, quando possuem pelo menos 6-7 anos de idade, com tamanho acima de 1,20m. Essas características biológicas e sua necessidade por mangues e águas rasas para crescerem, além da preferência por naufrágios quando adultos, tornam o Mero vulnerável aos ambientes degradados e um alvo fácil de pescarias ilegais.


Valor vivo

Estudos do projeto já indicam que um mero vivo vale muito mais que morto. Devido a sua longevidade, esse peixe pode gerar renda por décadas para guias de pesca esportiva que praticam o pesque e solte e para agências de turismo subaquático, que levam turistas para observar um grande peixe, dócil e ameaçado de extinção.

Não compre ou pesque o Mero, se pescar acidentalmente não esqueça de fazer fotos e o devolva cuidadosamente à água. Os registros fotográficos são importantes para o desenvolvimento da pesquisa de foto identificação através das manchas que possui na cabeça. Se possui fotos, mesmo que antigas, de Meros entre em contato com o projeto através de nossas mídias sociais (www.instagram.com/merosdobrasil) ou do programa de pesquisa participativa (www.merosdobrasil.org).


A parceria entre IBAMA e demais órgãos dedicados à conservação da biodiversidade com o Projeto Meros é antiga e demonstra a importância da interação entre pesquisa, educação e fiscalização. Assim, se você presenciar uma pesca ilegal denuncie através da linha verde IBAMA pelo telefone: 0800 061 8080. Se você ficou interessado em ajudar a conservar o mero e seus ambientes, visite www.merosdobrasil.org

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