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Juliana Duque: "Estamos trabalhando duro para chegar às Olimpíadas"

Com apenas 24 anos a velejadora baiana Juliana Duque já dedicou metade à Vela. Atleta da Marinha do Brasil e do Yacht Clube da Bahia, é um dos grandes nomes da classe Snipe, podendo ser uma das representantes femininas nas Olimpíadas de 2024. Enquanto treina duro para realizar o seu sonho, se divide entre o curso de Engenharia Ambiental e a vida no mar. Confira um pouco do bate-papo que tivemos com ela, enquanto treinava no Rio de Janeiro.

Foto: Will Carrara

MAR BAHIA – Fale um pouco sobre quando começou no mundo náutico e sua evolução até então.


JULIANA DUQUE - Era atleta de natação desde meu nascimento até os 10 anos . Depois disso estava à procura de outro esporte e acabei encontrando a Vela através do Yacht Clube da Bahia (Escola de Vela). Como sempre fui competitiva, na Vela não foi diferente. Desde o começo sempre treinei bastante para evoluir tecnicamente e, com isso, consegui conquistar alguns resultados muito importantes para mim. (O último foi o bronze no Panamericano de Snipe). Hoje, estou iniciando uma campanha olímpica na classe 470 junto a Rafa.


MB - Como foi essa transição de estar no mar por lazer e velejar profissionalmente?


JD - Sempre fui muito competitiva em tudo que faço. Acho que desde o início sempre treinei e me esforcei, então, de certa forma sempre foi meio profissional. A diferença é que hoje contamos com o apoio de outros profissionais, como preparador físico, psicólogo, nutricionista e fazemos nosso planejamento de forma mais pensada e em conjunto com esses profissionais.


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MB– Seu pódio mais recente foi em 2019, quando trouxe para o Brasil a medalha de bronze dos Jogos Panamericanos. Fale um pouco sobre suas principais conquistas ao longo destes anos.


JD - Ao longo dos anos tive algumas conquista importantes: Campeã Sulamericana na classe Optimist Feminina; 3° no Mundial Universitário de Match Race; 3° no Mundial Junior de Snipe; 1° no Sulamericano Geral de Snipe; 1° no Mundial Feminino de Snipe; 2° no Mundial Misto de Snipe; 3° no Panamericano de Snipe.


MB– Alimentação especial, restrições, treinos específicos...qual é a sua rotina como velejadora profissional?


JD - Quando estou em Salvador, eu e Rafa fazemos: 5x na semana treino na água(especifico), 5 ou 6x na semana treino físico, 1x na semana fisioterapia. Fora isso faço faculdade a noite. Costumamos descansar completamente nos domingos. Quando estamos em viagens para treinamento, que é o caso agora (estamos no RJ), damos prioridade para mais horas de treino na água e menos de treino físico.


MB – O velejador Rafael Martins, também é seu marido. Casar com alguém tão próximo seria inevitável? Como é esta relação tão próxima?

Foto: Reprodução

JD - Sempre fomos dupla no mesmo barco. Passamos 100% do tempo juntos, na água, no treino físico e em casa (Risos). Claro que como qualquer dupla, às vezes discutimos em treino ou competição, mas nos damos muito bem e tem sido muito prazeroso estar correndo atrás do meu sonho junto a alguém que amo. As pessoas sempre falam como deve ser impossível marido e mulher tanto tempo junto, mas estamos sendo felizes nesse caminho que estamos trilhando.


MB - Participar das olimpíadas 2024 é uma possibilidade real para vocês? Em que classe?


JD - Com certeza. A partir das Olimpíadas de 2024, a classe 470 será mista (homem e mulher) e estamos trabalhando duro para chegar lá.


MB – Como vê a evolução da vela feminina, sobretudo na Bahia, onde o número de mulheres competindo ainda é bem menor que a masculina?


JD - Desde que comecei até hoje, tem aumentado muito o número de velejadoras na Bahia e no Brasil. Isso é muito bom mas, ainda é um numero menor do que o de velejadores homens.


MB – Você sente alguma espécie de restrição ou preconceito por ser mulher dentro da vela?


JD - Acho que esse não é um problema que acontece só na Vela, mas não sinto que isso me prejudicou como atleta. Eu não me abalo muito com o que falam, tento sempre fazer minha parte, o meu melhor e o resultado acaba vindo e as pessoas passam a respeitar.

Foto: Will Carrara

MB – Cabos, força, sol, sal, esforço...muitas mulheres acham que há limitações que dificultam uma maior participação feminina na vela esportiva. Você concorda?


JD - Não acho que tem limitações. No mundo inteiro tem mulheres velejando com todos os tipos de barco. Isso é uma prova que não há limitações.

MB – Para muitos o mar é um refúgio. O que você faz quando quer relaxar fora deste universo?


JD - Vou para o mar também! Saímos de catamarã para relaxar. Também gosto de ir para a Chapada Diamantina e, mais que tudo, amo ficar em casa (principalmente quando estamos viajando com muita frequência).


MB – Um recado especial para as meninas que querem começar a velejar


JD - Apenas comecem!!!! É legal para lazer e para competição ! Não vão se arrepender!

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