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Por que as águas-vivas são mais comuns no inverno e o que fazer em caso de queimaduras?

* Por Claudio Sampaio

Todos os anos, nos meses de inverno, as praias de todo o litoral do Brasil recebem muitas espécies marinhas. Algumas grandes e aguardadas com ansiedade, como as baleias Jubarte, e outras pequenas e não tão desejadas, como as caravelas (as famosas águas-vivas). A presença de grande número de caravelas neste período é devido à influencia dos ventos Sul e Leste, que são constantes nesta época. Estes ventos arrastam todos os animais que flutuam na superfície dos oceanos, fazendo com que encalhem nas praias, na linha da maré, junto a lixos, animais mortos e outros detritos. A grande quantidade de águas-vivas que encontramos na beira da praia uma impressão equivocada de volume, mas a maior parte flutua sobre muitos quilômetros no mar; então só vemos uma pequena amostra desta grande fauna marinha.


O aconselhável é evitar o banho de mar nestes períodos de ventos fortes (e distanciamento social por conta do Covid), mas caso seja atingido por uma caravela, nada de passar urina (xixi), água doce ou esfregar o local atingido, pois isso irá causar dor e ferimentos semelhantes a uma queimadura. Vinagre e água do mar devem ser usadas para limpar o local, retirando os fragmentos da caravela. Casos mais graves devem ser encaminhados a postos de saúde.

Foto: Reprodução

As queimaduras causadas pelas caravelas são devido a presença de uma célula que é acionada pelo contato, disparando uma estrutura semelhante a um dardo com veneno, causando a dor e ferimento, conforme o numero de células disparadas. É justamente por conta desse acionamento físico que não devemos passar água doce (pois, causa o rompimento das células devido ao choque osmótico), esfregar ou passar urina, que pode causar uma sensação de conforto, devido a temperatura da urina, mas pode gerar infecções graves, não devendo ser usado de maneira alguma. O vinagre inibe o veneno e inibe que novas células sejam disparadas, assim como a água do mar.


E nunca é demais lembrar: antes de sair para um banho de mar, seja consciente. Evite o plástico descartável, reduza o consumo e respeite a legislação ambiental. Atos simples vão fazer com que sua ida ao mar seja muito mais saudável e divertida.

Foto: Reprodução

* Claudio Sampaio é biólogo, professor da Universidade de Alagoas (UFAL), do Laboratório de Ictiologia e Conservação da Unidade Penedo.


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