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Apreciando vinhos no Mar


* Por Gilvan Passos


Falar em caminho das pedras para um marujo é no mínimo apavorante, mas se o objetivo for dar dicas do que beber e comer harmonicamente a bordo, a frase, tenho certeza, soará muito proveitosa a todos que navegam pelos mares de águas tépidas desse nosso litoral nordestino. Se “navegar é preciso...”, como disse o poeta Fernando Pessoa, apreciar (vinhos e alimentos que se completam) é mais que preciso, e tendo como cenário a imensidão e a beleza do mar, é puro prazer.


O vinho, como bem sabem seus apreciadores, é uma bebida de ocasião, isso supondo que o clima, o estado de espírito das pessoas e a informalidade comum nas embarcações, conduzem para iguarias leves e vinhos igualmente leves. Até por ser o habitat natural dos peixes e frutos do mar, estes alimentos, assim como os queijos frescos, as massas com molhos brancos e as frutas tropicais, são perfeitos para saborear a céu aberto, nos conveses das embarcações, sob o sol intrépido do nosso litoral.

Os Espumantes Brut (secos), bem como os vinhos brancos e rosados mais leves, são itens de primeira necessidade em qualquer nau, para compartilhar com amigos e tripulantes, e combinam perfeitamente com todas as iguarias que o mar nos oferece. Estes vinhos, além de frutados são também muito refrescantes quando servidos bem gelados (6ºC a 10ºC), tornando-se um delicioso alento para o calor abrasador do nosso verão nordestino. O serviço deve ocorrer em pequenas doses na taça, para mantê-los frios e refrescantes, e a garrafa precisar ser mantida submersa, em balde com metade água e metade gelo. Sua harmonização com os frutos do mar dá-se ao mesmo tempo por semelhança, dado que ambos são leves, e por contraste, visto que o leve dulçor dos frutos do mar, são complementados pela deliciosa acidez destes vinhos.


Voltando a Fernando Pessoa, à portugalidade que ele incita, e à ligação do povo luso com o mar, não poderia deixar de recomendar dois vinhos portugueses que julgo ideais para saborear a bordo: Quinta de S. Sebastião Branco e Quinta de S. Sebastião Rosé. Ambos são elegantes, leves, frutados e refrescantes. Produzidos pela Quinta de São Sebastião, na região de Lisboa, estes vinhos conjugam para o nosso prazer, qualidade, tradição, modernidade, e será inspirador apreciá-los tendo como cenário as belezas do mar.


* Gastrólogo, consultor, colunista e crítico de vinhos | International Higher Certificate by Wine & Spirit (London) | Advanced Wine Certificate by ISG (United States of Amercia). Em maio estará em Salvador durante o Bahia Vinho Show 2018.

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