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O controle do Coral Sol na Marina de Itaparica

* Coluna Meio Ambiente | Por Zé Pescador

A reforma e requalificação da Marina de Itaparica vai melhorar a qualidade ambiental desta importante instalação para o desenvolvimento turístico da Baía de Todos os Santos e para a qualidade de vida dos residentes da ilha de Itaparica. Uma das inovações nesta reforma são as ações para o monitoramento e controle do Coral Sol, espécie exótica invasora que tem se estabelecido em algumas regiões da costa brasileira. O protocolo desta atividade foi projetado para minimizar qualquer dano ambiental e maximizar o seu efeito na redução desta espécie na região. A empresa CARBONO14 está responsável pela avaliação do Coral Sol, controle e monitoramento, durante e após a reforma da Marina. Os flutuantes do deck foram içados e colocados numa balsa para serem transportados ao estaleiro, onde o material incrustado será dessecado. Alguns esqueletos da espécie serão tombados e doados a universidades e escolas, e outras devolvidas ao mar como forma de alimentar a cadeia de detrito.

O Coral Sol trouxe muita preocupação no meio cientifico e de comunidades tradicionais que vivem da pesca artesanal, quanto a possibilidade de provocar alguma interferência na produção pesqueira. Aqui na Bahia, até o momento, não foi verificado qualquer tipo de interferência na pesca e há uma grande possibilidade que na Baía de Todos os Santos haja uma diminuição muito grande da sua presença.

Foto: Zé Pescador

Alguns terminais marítimos e portos já começam a se antecipar, com a fiscalização de órgãos como a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAC), que pode notificar as instalações como criadouro de espécie exótica invasora do Coral Sol. Pretendemos, nos tempos de pós pandemia, atender uma demanda reprimida de ações para o desenvolvimento sustentável, que já eram necessárias para ontem. Então, na evolução que vive a humanidade, precisamos redobrar os cuidados com o meio ambiente de modo a fazer com que os processo econômicos tenham uma visão estratégica para conservação sócio-ambiental.


A Baía de Todos os Santos precisa se modernizar, criar indústrias mais integradas com as comunidades de pescadores e marisqueiras. Também é importante utilizar de uma linguagem de mais fácil entendimento sobre conteúdos como a bioinvasão, os cuidados que os operadores portuários precisam adotar para que as suas atividades econômicas não gerem passivo ambiental para outras regiões. Entender sobre a dispersão do Coral Sol, por exemplo, é importante para se planejar formas controle. Um exemplo de uma lancha que estava ancorada por muito tempo na Marina de Itaparica, já tinha o Coral Sol incrustado no seu casco. Após sua saída para outro porto, esta lancha se torna um vetor de contaminação. Então, creio que falta um esforço para promover este diálogo com os operadores de portos, terminais portuário privados, marinas e plataformas.

Foto: Zé Pescador

A CODEBA já sinalizou de forma positiva para encontrarmos soluções inteligentes que coloque a Baía de Todos os Santos como um destaque em qualidade ambiental portuária e no trato da bioinvasão, em especial a do Coral Sol. Então, vemos de fato investimentos do PRODETUR contemplando os cuidados necessários para conservação dos ecossistemas costeiro marinho, influenciando para que outros projetos portuários observem e contemplem este fato como medidas mitigadoras e de condicionantes de licenças ambientais nestes empreendimentos.


*Fundador da ONG Pró-Mar e Consultor Ambiental

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