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O museu do mar de Aleixo Belov

Atualizado: 15 de Mai de 2019

"É hora de ficar em terra, plantando as raízes de tudo o que foi conquistado no mar". Assim, o navegador Aleixo Belov, de 76 anos, compartilhou com o Mar Bahia a motivação da sua nova aventura: a criação do Museu do Mar Aleixo Belov na sede da Amazônia Azul. Por mais de 1h, conversamos com ele e conhecemos o espaço de mais de 300m2, no Santo Antônio Além do Carmo, em Salvador.


Foto: Mar Bahia

MAR BAHIA - Fale um pouco como surgiu a ideia do seu museu e qual será o objetivo deste seu novo projeto

ALEIXO BELOV - O projeto nasceu de uma provocação de Lourenco Muller, amigo da Ordem de Kirymurê, que queria inicialmente por o meu veleiro Três Marias (que dei três voltas ao mundo) em uma praça pública como uma espécie de monumento. Mas, isso eu não aceitei porque qualquer coisa que um governante faz o outro normalmente não dá manutenção, então ia ser degradado e as pessoas iriam fazer do barco um mictório, como fazem com boa parte dos monumentos em Salvador (Risos). E aí essa ideia ficou martelando na minha cabeça e, como eu já tinha o Fraternidade e mais viagens acumuladas, achei que era hora de criar um legado para as outras pessoas, porque do que é que adianta você ter conhecimento e não compartilhar com os outros? Nada, né?


MB - O que as pessoas poderão encontrar no Museu Aleixo Belov?

AB - Muitas coisas acumuladas ao longo destas cinco voltas ao mundo, como obras de arte, cartas náuticas, permissões de entrada nos portos, búzios de todos os oceanos, ossadas e muitos documentos que podem ser muitos úteis para quem se interessar por navegação. É só pesquisar que irão encontrar muito conteúdo. Penso que o museu vai ter pelo menos duas partes: uma para os curiosos e outra com uma seção específica, com livros, cartas e tudo que estará a serviço de quem quer buscar informação. Fora isso, um auditório para aulas, cursos e palestras.


MB - Além do museu você também está pensando em criar outro projeto. Fale um pouco a respeito

AB - Sim! A Fundação Aleixo Belov vai completar o museu. São duas coisas com propostas diferentes que se unem em nome com o propósito de ajudar as pessoas e congregar os apaixonados pela vida no mar. Tudo que puder acontecer sobre o mar e a Baia de Todos os Santos poderá desenvolver junto com a gente, na Fundação. Minha intenção é comprar um segundo imóvel, justamente para desenvolver esse projeto. A intenção é juntar a parte técnica e cultural e até o São João, pelo menos já ter algo mais concretizado. Eu queria juntar as coisas que aprendi junto com o pessoal da Amazônia Azul e a Marinha do Brasil para deixar esse legado para as pessoas. É possível construir muita coisa interessante e eu ficaria muito feliz em poder contribuir com esse projeto, que só está começando.

Foto: Mar Bahia

O Fraternidade é uma super carreta marítima. Não é para ir tomar cerveja em Itaparica.

MB - Há uma previsão de abertura destes espaços?

AB - Ainda não há previsão de abertura do museu pois é preciso se reunir com a prefeitura e governo do estado para resolver muitas questões burocráticas. Mas, uma coisa é certa: a cidade e as pessoas merecem esses lugares.


Eu não sei de muita coisa. Talvez, navegar um pouco. O resto eu ainda quero aprender com quem souber mais do que eu.

Foto: Mar Bahia

MB - No início, especulou-se a implantação do museu em um espaço mais próximo do mar. O que o levou a escolher o bairro do Santo Antônio Além do Carmo?

AB - O museu não é longe do mar, ele fica no alto, de onde se tem uma vista para o mar maravilhosa. É um lugar lindo, histórico, onde os portugueses construíram grandes projetos. E quem são os portugueses? Os grandes navegadores do mundo. Está tudo "em casa" (Risos). Foi uma sorte eu ter encontrado este casarão. Preferi ter o casarão que o dinheiro no banco (Risos), agora é realizar mais um sonho e ver o museu funcionando.


Uma coisa importante que eu quero destacar é que a Fundação Aleixo Belov não é só para falar a respeito de Aleixo Belov. De jeito nenhum. A Fundação é para ser dividida com todos que queiram desenvolver ações ligadas ao mar, sejam elas quais forem. A árvore tem que crescer com a colaboração de muitos galhos. O objetivo é que esta colmeia dê muito mel.

MB - Como você enxerga o desenvolvimento náutico da Bahia?

AB - O desenvolvimento andou bem estagnado, sobretudo na Baia de Todos os Santos.

Mas, eu acredito que foi uma fase dos governos, muita coisa ficou parada. Agora, tenho esperança de que vá para frente.


MB - Quais são os seus próximos projetos?

AB - Um novo livro (o oitavo) eu já escrevi, só estou no processo de revisão. O nome será "Alaska, muito além da linha do horizonte". O filme várias pessoas tentaram me ajudar, mas nada deu certo até agora. São mais de dez horas de gravação no mar. Meu desejo era transformá-lo num longa metragem, ver essas imagens no cinema, mas por enquanto ainda não é possível. Aceito ajuda! Além disso, em julho vou tirar umas férias de um mês. pretendo fazer a Rota Transiberiana, indo para São Petersburgo, Moscou e atravessar a Rússia, a Mongólia e realizar esse grande sonho que ainda tenho, mas agora não é pelo mar (Risos). Quando eu voltar porei todas as minhas energias no museu e na fundação.


A vida é uma grande novidade. Tudo o que a gente realiza vai durar muito mais do que eu e você. Já estou feliz em poder realizar mais estes sonhos e não perder tudo que foi conquistado. É hora de parar, organizar e construir um capítulo novo que será lido por muitas pessoas.


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